A GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES PÓS COVID

19 Maio 2020

Por Adilson Mirante

Estudo de Economistas do MIT – Massachusetts Institute of Tecnology sugere que políticas de isolamento social, concentrada na população idosa, ajudam a reduzir a mortalidade do Covid-19 e os custos econômicos da doença.

No cenário ideal americano desenhado pelos economistas do MIT, a taxa de mortalidade poderia cair para pouco acima de 1 % se houvesse isolamento dos americanos com mais de 65 anos até a chegada da vacina. Essa política reduziria também o dano econômico de 24,3 % do PIB para 12,8 % do PIB. Números, métricas, estatísticas baseadas na realidade vivida.

Isso deveria mostrar a todos nós empresários e executivos brasileiros, aqueles cuja missão é comandar essa balbúrdia pós Covid-19, o que significa resultado econômico, disciplina nos números e tomada de decisão baseada em dados mensuráveis, gestão profissional baseada nas métricas do negócio, coisa difícil de se ver nessa guerra de notícias desencontradas da gestão da saúde e no combate à pandemia no Brasil. O exemplo terá que vir do empresariado e seus gestores.

Temos Jornalistas despreparados e pouco especializados em temas econômicos com informações imprecisas baseadas em números absolutos, sem precisão estatística comparativa nos jornais escritos e televisivos, formando uma miscelânea de dados erráticos e criando pânico. Desorientam a gestão municipal e estadual em quase todos os Estados do Brasil. Porque alguns Estados tem baixíssima taxa de letalidade (contaminados X óbitos por covid) e baixa taxa de mortandade (número populacional X óbitos) comparados aos Estados com as mesmas características de densidade demográfica e metropolização?

Levando isso para a economia real, onde a população pede socorro e está descrente, a maioria das empresas brasileiras terão sérias dificuldades com a gestão técnica da crise mercadológica pós Covid-19, pois não possuem capacidade técnica para enfrentar o que virá. Qualquer planejamento pós Covid deverá ser feito em gestão mais profissional, decisões com bases estatísticas, seja financeira, comercial, seja industrial, de gestão de recursos materiais e humanos. 

A maior parte das médias e pequenas indústrias, comércio e serviço, que formam 70 % da mão-de-obra formal do país, não possuem gestão minimamente calcada em sistemas tecnológicos que permitam controle em tempo real de custos e orçamento, estoque, contabilidade confiável, fluxo de caixa, acesso fácil a crédito, sistema de vendas online, capacidade técnica por falta absoluta de profissionais capacitados, crédito e cobrança eficiente, enfim, esse é o Brasil real.

No mercado pós-covid, não poderemos mais contratar profissionais que não apresentem histórico de resultado em seus currículos. Não poderemos mais fazer seleção sem definir e considerar quais competências a empresa precisa no perfil do cargo. Não poderemos mais escolher um candidato que não demonstre essa capacidade em relação ao desafio imposto pela empresa na retomada dos negócios. Com salários retraídos, os bons profissionais não aceitam qualquer proposta, as empresas não poderão pagar salários melhores, e está armado o problema.

As empresas precisarão investir cada vez mais em diagnósticos, em consultorias e especialistas cujo histórico demonstre a capacidade de tomada de decisões estratégicas baseadas em números, radiografia de mercado concorrencial, capacidade produtiva real, compras mais refinadas, estoques essenciais, gestão financeira agressiva, recomposição de fluxo de caixa realista, refinamento do atendimento baseado em CRM e treinamento intenso de funcionários desgastados e emocionalmente fragilizados, naquilo que sobrar da força de trabalho ativa.

A contratação de ajuda psicológica nessa fase é altamente recomendada onde for o caso. Os números mostram que a sociedade como um todo está à beira de um colapso emocional. Basta ver o aumento das demissões e a grita geral da população nas ruas. Números, fatos, estatísticas.

A retomada da economia terá que valorizar nossas fontes de suprimentos de insumos nacionais, que precisa ser priorizada através de estudos setorizados, trabalho a quatro mãos entre governo e associações de classe, pois os especialistas mostram que vem protecionismo global por aí. Precisaremos priorizar a indústria instalada no país, de bens semiduráveis e duráveis, bem como setores ligados à infraestrutura e sua consequente cadeia de insumos. Ela precisa ser privilegiada neste momento, pois será a mais afetada. Números, estudos, métricas e gestão baseada em resultados deve ser o foco do governo e dos empresários na era pós Covid-19.