Dia do Trabalho: a parte cheia do copo

30 abr 2019

Há dois meses fizemos um artigo com um panorama do primeiro trimestre de 2019, explanando sobre o nível das contratações de média e alta gerência nos Estados do Sul / Sudeste, e mostramos que houve uma melhoria significativa em vários segmentos, mas nem tanto em outros se considerarmos o país como um todo.

A bem da verdade, deveremos fechar o primeiro quadrimestre com volume de contratações de aproximadamente 220 mil vagas formais. Se projetarmos o ano todo de 2019, teremos algo próximo de 900.000 cargos ocupados.

Os meses de janeiro e fevereiro foram meses fortes na geração de empregos formais. Considerando a aprovação da Reforma da Previdência e início das outras reformas estruturantes no segundo semestre, poderemos ter boas surpresas e parece que o mercado de investimento já está se antecipando.

Chegamos a março com o recorde dos últimos 7 anos de clientes recolocados nos cargos executivos de média e alta gerência, em função de vagas que vinham sendo processadas em janeiro e fevereiro. Os cargos que se destacaram nesses processos de recolocação foram nas áreas: Industrial (metalúrgica e bens de consumo), Finanças, Comercial, Logística, Varejo e serviços em geral.

Mais de 50 % dessas contratações na M1 são novos negócios, fusões e aquisições, investimento externo sendo aplicados na região Sul/Sudeste do país e muitas empresas entrando forte no segmento de distribuição.

Em março temos retração na geração de empregos em alguns Estados, ficando estável no Sul/Sudeste, mas abril já mostrou um aquecimento novamente. Algumas evoluções aconteceram de janeiro a abril de 2019 e mostram a expectativa positiva para investimentos diretos, porque:

1.   Segmento automotivo continua crescendo a 2 dígitos no mercado interno há mais de 6 meses, com aumento de 11,5% nas vendas em março para veículos leves e 47% em vendas de caminhões em relação a 2018.

2.   Vendas imobiliárias e lançamentos em São Paulo cresceram 30% neste período (ABECIP), com valorização de imóveis entre 5 e 10%. E os números mostram aumento de investimento na construção civil, comercial e industrial.

3.   As vendas do varejo ampliado cresceram 4,89% em termos reais no primeiro trimestre de 2019, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Consumo (Ibevar).

4.   Contratações formais em março chegaram a 56 mil, que é o melhor resultado desde 2013, embora menores que fevereiro. Esses altos e baixos mensais são parte da transição.

5.   A área Comercial disparadamente foi a que mais contratou entre janeiro e abril, com crescimento de 28% no volume de vagas de média e alta gerência em comparação ao período de agosto a dezembro de 2018, seguida pela área de Logística e Transporte (25%) Financeira (19%), Suprimentos (18%) e Produção (18%).

6.   As vagas executivas de primeira linha não estão mais concentradas nas capitais, estão distribuídas em todo o eixo Sul/Sudeste do país, nas capitais e no interior dos Estados.

7.   A maioria dos segmentos de serviço (que representa 75% do PIB), estão começando a se equiparar às contratações da indústria, principalmente logística e transporte, tecnologia e produtos financeiros, com crescimento de 4,7% no trimestre. É pouco, mas continuam crescendo, conforme comentamos acima, em relação ao volume de contratações.

8.   Investimentos e vendas de produtos financeiros e crédito, separadamente, aumentaram exponencialmente, mostrando um mercado receptivo à captação de crédito e novos investimentos, o que mostra a tendência de aceleração de que estamos falando.

9.   Movimento de cargas e passageiros nos aeroportos, com aumento significativamente nos principais Hubs (menos RJ) e aumento grande de importações, mostrando que a indústria aumenta produção e reposição de estoques.

10.  Crescimento no consumo de energia e venda de combustíveis, com melhora neste início de ano em todo o país, aumento de 4% comparado com 2018.

Então, temos o que comemorar, a tendência é de alta e não de baixa como falou o Editorial do Jornal Valor Econômico de 24 de abril. Os pessimistas que me perdoem. Mas viva o Dia do Trabalho.