Mercado em aquecimento: cresce o número de recolocações para cargos de média e alta gerência

06 jun 2019

Terminamos o mês de maio com um número recorde de clientes recolocados em cargos de média e alta gerência, o terceiro melhor dos últimos 18 meses. Crescemos 15%, entre janeiro e maio deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Isso mostra a aceleração das contratações de média e alta gerência, mas esses números variam de um cargo para o outro.

A área financeira lidera, com aumento de 43% em vagas de diretoria, seguida das áreas comercial, tecnologia, engenharia/manufatura, logística/suprimentos e recursos humanos.

As recolocações formais no país em abril foram recorde. Em apenas quatro meses chegamos próximo ao número total de contratações do ano passado.

Se o mês de maio mantiver essa tendência, e parece que manterá, poderemos chegar a mais de 1,5 milhão de empregos novos no ano, se a reforma da previdência e outras reformas acontecerem nos próximos 2 meses. Mas nem tudo são flores. Estamos presenciando reestruturações em empresas globais o que gera reduções pontuais no quadro das filiais instaladas no país.

Nesses primeiros cinco meses, presenciamos várias mudanças no mercado, tais como:

1.  Número de fusões e aquisições aumentando e gerando novos postos para média e alta gerência;

2. Superávit da balança comercial e setor público foram significativos em abril e devem manter o ritmo em maio;

3. Aumento no investimento externo direto em setores ligados à infraestrutura, agropecuária/agroindústria, geração, transmissão de energia e óleo & gás, fruto dos leilões recentes que tivemos e de novos leilões programados, que movimentam a procura por executivos de alto nível de especialização;

4. Maio tradicionalmente é um mês de aumento de contratações na agroindústria devendo contribuir para mais um mês recorde de contratações, como foi em abril;

5. O ritmo de contratações começa a crescer no setor de construção civil. As vendas e novos lançamentos tiveram mais de 25% de crescimento desde janeiro nos Estados do Sul e Sudeste;

6. O volume de vagas de média e alta gerência aumentou entre 35% e 50% em alguns cargos, como finanças e vendas, nestes primeiros cinco meses de 2019, principalmente nos Estados do Sul e São Paulo,

7. Os indicadores econômicos como a Bolsa de Valores, taxa de inflação, câmbio, anúncios de IPOS, investimentos anunciados pelo capital privado, medidas governamentais de desregulamentação e simplificação da atividade econômica, e medidas para aumento de crédito, geram massa crítica para o consumo no segundo semestre.

8. As taxas de desemprego mudam significativamente e continuam caindo nos diferentes segmentos econômicos conforme a região geográfica, nível de formação educacional e cargo na pirâmide organizacional.

9. Para média e alta gerência já temos falta de profissionais qualificados em cargos de Diretoria Financeira, Gerência Industrial, Gerência de Vendas em bens de consumo e Agronegócio, e por aí vai.

10. Continuaremos a ver um país dividido entre Estados mais e menos endividados, gerando diferença de crescimento e geração de emprego entre as regiões do país;

11. O país vive um dilema político que omite boas notícias pelos canais de divulgação institucionais, o que distorce a noção da realidade no mercado;

12. Temos mais de 700 mil vagas disponíveis nas regiões metropolitanas sem profissionais qualificados correspondentes, metade disso só na área de tecnologia, como engenheiros de computação e programadores.

Formamos Ciências Humanas mais que o necessário e faltam profissionais na área de Ciências Exatas. Esse é o nosso dilema. Educação capenga no nível técnico e severas distorções na graduação superior desde a Proclamação da República.

Adilson Mirante | M1 Alta Gerência