O Novo RH e o Home Office Pós Pandemia

14 out 2020

A retomada da economia em V começou. As contratações voltaram intensas em toda a indústria de transformação, comércio, varejo e serviços, como já projetávamos em artigo que escrevemos no final de junho passado.

Foram 135.000 novos empregos com carteira assinada em julho e 240.000 novos empregos em agosto. Não acontecia desde 2010. Setembro deve manter números parecidos e outubro também pelo volume de clientes que estamos recolocando aqui na M1. Isso já zera, em outubro, o volume de empregos perdidos na pandemia em todo o ano.

E uma revolução está ocorrendo com a prática do home office no Brasil e no mundo. Nesses meses de pandemia, já conseguimos avaliar o resultado das decisões sobre o teletrabalho, pois os estudos de quem aderiu em massa à essa prática, começam a ser divulgados. Vou tentar resumir para vocês de forma bem didática:

1.     Antes da Pandemia. Já era prática em muitas empresas essa iniciativa de 1 ou 2 dias por semana em indústrias e empresas de serviço com uso intensivo de mão de obra. Essas empresas saíram na frente agora, pois já possuíam protocolo nesse sentido.

2.     A tendência acelerou. Essa prática beneficiava alguns cargos administrativos de comando, pessoas que moram longe do local de trabalho, atividades como área jurídica, vendas, projetos, vendas online. Hoje, toda empresa, pequena, média ou grande tem alguém em teletrabalho.

3.     As Reuniões Corporativas. Os custos de viagens e deslocamentos das pessoas para reuniões de trabalho entre Cidades, Estados e países foram abolidas por extrema necessidade. A partir de agora serão lugar comum no mundo todo, com ganho de tempo e objetividade nos temas tratados.

4.     As Tecnologias disponíveis para o teletrabalho. Startups surgem a todo o momento oferecendo aplicativos bastante completos como gestão completa do RH online, cursos de liderança e inteligência emocional, medição de produtividade, medição de estresse, aulas de ginástica e automassagem laboral ao vivo e por aí vai.

5.     Os desafios da área de TI. Os maiores desafios das empresas com uso intensivo de mão-de-obra em estruturas administrativas corporativas, consultorias e serviços especializados, esbarravam na tecnologia disponível, banda larga fixa e móvel capaz de sustentar o acesso a sistemas corporativos. Mas as empresas de telecomunicações e de tecnologia agiram rápido.

6.     As vendas de tecnologia só crescem. As empresas de hardware e software crescem entre 10 % e 55 % nos últimos 4 meses na venda de notebooks, periféricos, acessórios e mobiliário, bem como no lançamento de aplicativos segurança de rede, assistência técnica, psicológica, jurídica e financeira.

As soluções transitam desde pacotes completos de apoio ao teletrabalho, incluindo ponto eletrônico pelo celular, mapeamento comportamental sobre a saúde do funcionário, e aplicativos de seleção e contratação sem necessidade do profissional ir sequer 1 dia na sede da empresa para os trâmites contratuais.

Temos todo tipo de solução disponível, são startups especializadas em oferecer conteúdo de gerenciamento de processos à distância que liberam as atividades burocráticas e aumentam a produtividade de forma intensa, segundo as pesquisas.

7.     Os sistemas de segurança. A segurança é um caso à parte nessa busca por teletrabalho. A gestão e acesso das redes corporativas virou uma preocupação e as plataformas em nuvem é questão de vida ou morte.

8.     Quem saiu na frente, os processos automatizados. A prática do teletrabalho se disseminou principalmente e maciçamente nessas empresas de tecnologia e telecomunicações, por serem empresas de uso intensivo de mão-de-obra e porque possuem alto nível de automação de processos.

9.     O que sentem os usuários. Pesquisas mostram que metade das pessoas se adaptaram e/ou tem medo de voltar às atividades normais, mas 35 % se sentem desconfortáveis com essa prática por motivos diversos que será motivo de outro artigo que publicaremos.

Os funcionários solteiros, os que moram sozinhos, são mais afetados emocionalmente, pois ninguém consegue ficar ilhado do mundo 24 horas por dia. Isso ainda vai trazer muita dor de cabeça para os RHs.

10.  A Produtividade e a redução de custos. De qualquer forma, a eficiência, mostram os estudos, trouxe alguma melhoria de produtividade, por menor que seja. Mas o ganho ainda vai precisar de mais tempo para ser mensurado, segmento por segmento. A diminuição de custos é visível nas grandes corporações.

11.  Os ganhos para o consumidor e a revolução no consumo. É esperada uma revolução na forma de adquirir quaisquer produtos ou serviços nos próximos anos. As facilidades para o usuário de serviços provoca e ainda vai provocar, mudanças radicais nas empresas de logística, comércio, fabricantes de bens de consumo e empresas de tecnologia. É certo que hoje você compra tudo online e até um carro pode ser adquirido por delivery. Toda revolução começa por uma crise.

12.  Os pacotes de benefícios. Os benefícios das empresas com home office 100 % on line, foram alterados. Benefícios como ticket refeição foi trocado por cesta básica a domicílio, auxílio transporte e combustível é trocado por despesa com internet, veículo designado passa para aplicativo de mobilidade. Seguro de vida precisa ser implementado onde não houver, a segurança do trabalho em casa tem que ser levada em conta. Os acordos coletivos trarão essa nova prática para a mesa de negociação.

13.  Regulamentação do teletrabalho. A reforma trabalhista de 2017 por meio do artigo 75, lei 13.467, não apenas precisa de mais regulamentação, como também é urgente, pois as empresas estão numa insegurança jurídica tremenda. Muitos aspectos do que está sendo dito aqui carece de acordo coletivo. O teletrabalho parcial, o local de trabalho e as condições mínimas para a execução das atividades laborais, os acidentes de trabalho em casa. Tudo isso vai ter que ser discutido e regulamentado.

Voltaremos ao tema oportunamente.