
Novo artigo sobre o Trabalhador Gerente Sênior com mais de 60 anos em administração e gestão – Livro “Carreira e Pós Carreira”. Adilson Mirante.
12 de dezembro de 20252025 – FREIO DE MÃO PUXADO
Como todos sabem, nossa atuação está concentrada em recolocação e seleção por demanda em cargos de média e alta gerência, sendo essa concentração 95 % na indústria e 5 % em serviços atrelados. Essa indústria de transformação está concentrada 90 % nas regiões Sul e Sudeste. Este é o Brasil em números. Esse é o Brasil real.
Em 2025 a M1 cresceu 11 %, frente ao mercado de serviços que praticamente não cresceu mais que 2,8 %, e mesmo assim foi carregado pelos serviços de logística e transporte, tecnologia e comunicação. Não fosse isso, teríamos um setor também estagnado em relação a 2024, exatamente como a indústria B2B. Ganhamos mercado exclusivamente pelo maior volume de desligamentos da indústria e da prática de outplacement para dar suporte aos executivos desligados. Ou seja, os desligamentos aumentaram e já falamos sobre os motivos nos artigos escritos ao longo do ano.
A M1 cresceu acima do mercado porque, por um lado as pessoas buscam suporte em recolocação e, por outro lado, a demanda por contratação via headhunter cresceu mais ainda, exclusivamente pela dificuldade de mão-de-obra especializada disponível. Quer contratar? tem que tirar da concorrência. Estamos falando de média e alta gerência, salários acima de R$ 18.000,00 e até 70.000,00. Isso na pirâmide econômica, representa apenas 1,5 % da população economicamente ativa que é de 100 milhões de pessoas.
Esses 1,5 % da população ou 1,5 milhões de pessoas, 65 % com carteira assinada e os outros 35 % PJ. Triste realidade, mas são os números de um país que taxa a renda e o consumo, em vez de taxar somente o consumo. Significa um custo de folha cada dia maior, eu diria até proibitivo para contratação CLT e assim caminhamos. O projeto do governo para 2026 deveria ser a diminuição da carga de impostos e da folha de pagamento.
Mas adivinhem o projeto prioritário do governo federal para 2026? a mudança da escala 6X1. Seja o que for esse monstrengo, não vai melhorar a produtividade da economia, muito pelo contrário. E sem aumento de produtividade nenhum país evolui. Só querem votos, só buscam votos, e a indústria não aguenta mais. Produzir no Brasil está se tornando uma equação que não fecha. Simples matemática, pura ignorância sobre a questão trabalhista, tributária e fiscal. Ignorância?
2026 – O PNEU ESTÁ FURADO.
A indústria em 2026 vai seguir cambaleando nas decisões do governo, mais impostos, mais gastos, déficit fiscal, aumento de juros, endividamento, falências, maiores custos, maiores os preços, menos produtividade. Nossa produtividade já é uma das piores do mundo em desenvolvimento e estamos na lanterna de toda a América do Sul, perdemos para quase todos os países. Entraremos em 2026 ainda no rescaldo da pandemia mundial que afeta a Europa, nosso terceiro ou quarto principal mercado depois do próprio Brasil, é claro.
Esse cenário mostra uma nova dinâmica na economia; ficamos mais individualistas, todos querendo abrir o próprio negócio, se libertar do emprego celetista, a maioria sem ter perfil empreendedor. E o que fazemos? nos refugiamos na família, queremos proteção emocional da única instituição que confiamos.
E para nos salvar de novo, surge a tecnologia, o famoso cisne vermelho, o tsunami da Inteligência Artificial, um turbilhão de possibilidades, o emprego em transformação nas exigências técnicas, resiliência emocional e ousadia nas decisões, coisa pra poucos. A maioria vai ficar obsoleta antes da hora. 50 % da população não tem segundo grau completo e são semianalfabetos.
Pelo menos temos um consenso, sem mais estudo e desenvolvimento técnico-científico, não vamos evoluir no sentido material, não construímos família, não desenvolvemos nossos filhos, o país fica à deriva. Outro consenso é que não devemos depender de governos, estamos sozinhos na batalha, o governo só atrapalha.
No plano operacional, precisamos estancar sangrias, mapear alternativas, hospedar parcerias, navegar no mar revolto, recalibrar as tensões, tomar decisões exaustivamente analisadas, evitando riscos desnecessários e buscando apoio de especialistas nessa tomada de decisão.
Somos o patinho feio da economia mundial num país riquíssimo de recursos naturais, e queremos mudança de rumo, podemos criar um novo destino. Somos a grande e futura promessa de sucesso geopolítico, empresarial, econômico e tecnológico no mundo. Quem viver verá.
Bom 2026 a todos.




